Capítulo 22 - O Elixir

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Luanna

Svenna surgiu no quarto de Luanna antes que a jovem desse sua última despedida ao aposento, — Luanna deixaria lembranças e a amizade com Ariadne para trás, sentia falta da amiga, mas quem sabe não a encontrasse no mundo externo? Havia muitas possibilidades, só não poderia se permitir ser capturada por Hazel. A deusa da Vida fitava o semblante infeliz da jovem, mas não era bem ela que viera visitar e sim o tio.

— Mierk! — ela chamou o deus da Morte, com um sorriso no rosto iluminado por mil sóis.

O deus fitou-a surpreso.

A deusa aproximou-se e disse:

— Como não pude realizar o seu ritual, preparei um elixir retardatário que o ajudará em relação à sua maldição, pelo menos por um tempo.

Svenna entregou ao deus um frasco de vidro contendo um líquido púrpura que ao ser balançado com um mínimo movimento explodia em multitons.

Com um sorriso contido, Mierk disse:

— Fico agradecido Svenna!

— Essa fórmula bem dosada renderá por pelo menos uns três meses, duas gotas semanal prevejo que seja suficiente. Ele ajudará na transição de corpos, diminuirá a dor existente e também que possa ficar por mais tempo junto a um corpo, a fórmula agirá como um formol retardando o apodrecimento dos cadáveres.

Mierk assentiu, compreendendo a explicação de Svenna.

— Tomarei a primeira dose assim que trocar de corpo, esse está totalmente maltrapilho e alquebrado! — disse batendo as mãos sobre o corpo feminino, destruído, que possuíra.

— Não vou deixá-lo tomar meu corpo outra vez — disse Kaleb zombeteiro. — nem tente...

— Vou possuir o seu corpo de outras formas, rapaz — disse Mierk com um olhar sedutor e chocado com suas palavras proferidas próxima a deusa da Vida.

Svenna sorriu com a declaração informal de Mierk.

— Gostaria de ter ajudado você bem mais que isso — disse Svenna fitando o elixir na mãos de Mierk que balançava o frasco de um lado para o outro e observava hipnotizado as explosões contínuas e mágicas que aconteciam lá dentro.

. Tentando tornar a situação o mais normal possível.

— Já me ajudou muito, Svenna. Estou muito feliz que tenha dado o trabalho de fazer algo por mim, mas como a conheço bem, suponha que queira algo em troca, não é mesmo?

A expressão de Svenna modificou-se, o sorriso desapareceu e uma expressão séria surgiu no lugar.

— Sim, mas tem o direito de dizer não e isso não fará com que eu tome de volta o elixir, só imaginar que ele seja um presente. — disse ela fitando Luanna — Queria falar com vocês dois na verdade.

— Então, vou sair para conversarem a sós — disse Kaleb indo em direção da porta.

— Não, Kaleb, fique, pois você também terá influência no que falarei. Você agora é o Consorte de Mierk, e o faz portanto, tão importante quanto ele.

Kaleb sorriu ao ouviar aquelas palavras, não tinha imaginado em ser um Consorte e ainda mais de um deus como a Morte.

— O que quero falar é o seguinte: Se nos juntarmos, nós podemos tirar Haleky do trono, Luanna — fitou a jovem com um meio-sorriso azedo — Há tempos que seu pai é um tirano. Ele não se importa com o destino real das pessoas, se elas terão uma morte terrível ou não. Ele não se importa com ninguém, muito menos com os mais próximos. Observamos isso com o tratamento que ele dá a você e como ele abandonou o próprio irmão no exterior dos Campos Celestiais. Se conseguirmos derrubá-lo agora, conseguiremos fazer com que Mierk volte a morar aqui e fazer com que seu destino Luanna seja modificado, assim não terá que ficar de frente com um humano e arrancar-lhe sua cabeça com as próprias mãos. Podemos, nós quatro, governar os Campos Celestiais e banir Haleky daqui para sempre. Podemos fazer a vida de todos um tanto melhor.

— Agora q viverei na terra não tenho a mínima intenção de me envolver com tronos e reinados. Nunca tive vontade de ser regente, cresci apenas com a ideia de treinar para a luta futura com Alejandro e com a busca de Almas. Meu pai nunca deixou eu reger por um dia, nem sei como conduzir nem mesmo minhas árvores, imagina então todos os Campos Celestiais?!

— Você se sairia bem junto de outros três. A ensinaria muito, coisa que seu pai não fizera.

— Obrigado, mas recusarei a oferta. Não quero me envolver nesses assuntos. prefiro viver um tempo ao lado de Mierk e tentar ter uma vida menos atropelada.

— Você não irá mais atrás de Almas, mas ainda tem o destino imposto a você. Alejandro tem q ser morto por suas mãos...

— Eu sei disso! - gritou exasperada, cansada de ouvir aquilo. — não precisa ficar dizendo isso o tempo todo. Sei o meu destino, só não vou executá-lo tão já. Svenna fitou Luanna incrédula, mas a jovem apenas afastou-se da deusa e voltou para seu quarto batendo a porta em seguida.

— O que foi que falei? Fitou de soslaio o deus da Morte.

— Ela foi banida Svenna, você queria que ela fizesse o que? — disse Mierk sentindo Alejandro próximo. Caminhou até os jardins e notou algo invadir o ar, uma fenda vermelho sangue quase imperceptível.

— O humano está vindo para cá? — perguntou Svenna fitando na mesma direção que Mierk.

— Não estou vendo nada... — disse kaleb. - Você é humano não encontrará nada com seus olhos mortais. Nem nós deuses conseguimos ver muita coisa... é quase invisível Kaleb...

— Ah sim — respondeu o rapaz compreendendo a situação, mas algo rubro e denso cobriu toda a extensão dos Campos Celestiais. Um vento forte balançou as árvores de um lado para outro como se tivesse ventado.

— O que foi isso?! — Algum Filho vai ser sacrificado e isso não é nada bom...

Ódio RenascidoOnde histórias criam vida. Descubra agora