Imagine a seguinte situação: Você,sentada à mesa com uma família inteira de pessoas mágicas e super-poderosas."Mas S/n!Como você conseguiu se enfiar nessa situação??"
Isso é uma questão simples meus amigos.Minha tia decidiu se mudar para uma cidade maior,a fim de aumentar o fluxo de vendas de sua loja de custura e achou que seria uma ótima ideia deixar sua sobrinha de quinze anos com a família "chefona" da cidade.
Depois de uma semana de preparações de mudança,cá estou eu,sentada à mesa almoçando com uma família inteira de multi-talentosos.
Não faz nem um dia em que pisei nessa casa e já sinto como se esse fosse o melhor lugar onde eu poderia estar.
As pessoas conversavam animadamente enquanto comiam,falando sobre diversos assuntos.Quer dizer,a maioria delas,o caçula Antônio não participava da conversa,estava muito ocupando jogando uno com uma onça,uma capivara e um papagaio enquanto dividia seu enorme prato de comida com os animais.
Mais um dia normal na família Madrigal.
Ao meu lado direito estava sentada a primeira pessoa da família que conheci,Mirabel Madrigal.Ela me disse que quando ficou sabendo que eu passaria um tempo aqui,se animou tanto que a casita brigou com ela por quase quebrar o chão com seus pulinhos.Mirabel é uma amiga incrível,criativa e engraçada.Acho que se ela não estivesse aqui,eu estaria me sentindo totalmente deslocada.
Eu e ela nos conhecemos há alguns meses,quando ela visitou a loja da minha tia para comprar alguns materiais de costura.Desde então ela veio muitas mais vezes na loja e logo nos tornamos amigas.
À minha esquerda estava sentada a segunda neta mais velha da família,Dolores.Por causa de seu dom,sua audição é muito sensível então,por educação,eu não estava gritando tanto enquanto conversava animadamente com Mirabel.De vez em quando Dolores me olhava com uma cara de alívio.Pode ser impressão minha,porém acho que ela está agradecida por eu estar fazendo esse favor.
Abuela estava sentada na ponta da mesa,comendo devagar e sorrindo levemente.Depois dos ocorridos na casa e no milagre,ela parece estar muito feliz pelo fato que que agora todos podem ser eles mesmos e podem também conversar todos juntos,incluindo seu filho Bruno,que esteve "desaparecido" por muitos anos.Fico feliz que a matriarca da família tenha amadurecido tanto.
____
Quando Mirabel e eu decidimos parar de conversar e começar comer mais rapidamente,parei para reparar todas as pessoas que estavam à mesa.Pepa e seu marido Félix são o que eu chamaria de: "casal feliz que todo mundo ama e tem inveja".Mesmo casados há tanto tempo,eles ainda se olham como se fossem dois adolecentes apaixonados."Será que um dia eu terei um relacionamento assim?"- me peguei pensando.
Reparei também os pais de minha amiga Mirabel.O relacionamento deles era do tipo mais maduro,mas mesmo assim tão bonito quanto o de Pepa e Félix.
O único filho solteiro de abuela Alma era do tipo do tiozão fofo e meigo que mima e se preocupa muito com os sobrinhos,mesmo estando longe.É o tipo de pessoa que você quer abraçar,dizer que tudo vai ficar bem e nunca mais soltar por nada nesse mundo.
Todas as pessoas alí eram muito interessantes e com características únicas.Pra falar a verdade,eu me sentia em uma exposição de arte.
Sério,eu nunca tinha visto tanta gente bonita junta.Sangue milagroso que chama?Pra mim só pode ser isso!
Todos eram fascinantes,porém eu poderia passar horas e horas olhando para aquele garoto que estava sentado à minha frente.
Camilo Madrigal ou "garoto Madrigal" para os não íntimos na minha opinião era o que tinha o dom mais curioso da família.Além do dom de ser muito bonito (coisa que não pretendo jamais dizer à ele),ele também pode se transformar em diversas pessoas.Metamorfose a qual não pode ser explicada cientificamente pela biologia,como a da borboleta,por exemplo.
Para mim,Camilo sempre aparentou ser o tipo de pessoa animada e engraçada que todo mundo sempre quer por perto,porém,hoje ele estranhamente estava calado à mesa,olhando sem expressão para os lados.Mesmo não conhecendo ele mais do que as pessoas que o chamam de " o garoto madrigal",logo percebi que algo estava nitidamente errado.
Resolvi ficar para conversar com ele depois do almoço.
~ quebra de tempo ~
Meus planos de falar com ele assim que todos saíssem da mesa não deu certo,pois ele foi o primeiro a se levantar e ir embora.
O observei sair do jardim e entrar na casa.
Passados alguns minutos em que ele tinha saído,resolvi que a melhor forma de tentar puxar assunto era seguí-lo.Eu sei,podem me chamar de "stalker" ou "intrometida",eu mereço.
Ví ele sair da casita um tanto quanto melancólico,chutando a terra enquanto andava em direção a algum lugar que eu ainda não sabia qual era.
"Por quê será que ele está assim?"- me peguei pensando.
Depois de alguns minutos de caminhada,chegamos à um parque afastado e que eu particularmente nunca tinha visto.
Camilo se sentou em um dos bancos,olhando para o céu.
- Hum.....o quê está fazendo? - perguntei saindo de meu esconderijo,assustando o rapaz que quase caiu do banco.
- S/N????? - Ele falou surpreso,ainda tentando se recuperar do susto.
- Sua cara tá meio deformada - falei.
- Ah! -ele ajeitou sua face. - O quê você faz aqui?Achei que este lugar estivesse abandonado a muito tempo e que ninguém nunca vinha aqui. -Ele perguntou.
-Bom...na verdade eu....só estava dando uma volta. -Menti,até por que convenhamos,"ah,eu tava te seguindo" seria uma resposta muito estranha.
-Entendo...- ele respondeu - Bom...acho que já vou andando então...
- Espera!-Falei.
- Qual o problema?
-Camilo...eu sei que não te conheço muito bem,mas percebi que você estava meio triste no almoço.Tá tudo bem?Eu tô aqui se precisar de alguém pra conversar e....
-Se tá tudo bem?Óbvio que eu tô bem!Por quê eu não estaria? - Ele me interrompeu dando um sorrisinho que era claramente falso.
-Eu não estou aqui pra te obrigar a dizer nada,até porque nem nos conhecemos,mas eu conheço pessoas que estão bem,e claramente isso não é estar bem. - Falei.
....
-Ok,você me pegou.Se eu realmente estivesse bem eu provavelmente não teria vindo aqui,em um lugar completamente abandonado. - Camilo falou dando um sorrisinho tristonho.
-Então você admite que não está bem? - Falei em tom de desafio.
-Ok,ok,eu admito.Satisfeita? - Ele perguntou.
- Muito.Obrigada. - Falei sorrindo levemente. - E então,como posso ajudar?
- Ajudar?Como assim ajudar?Isso não estava escrito no contrato! - Ele falou brincando.
- Você não leu o contrato da vida?Pois deixe eu te lembrar.Neste contrato está escrito que:"a partir do momento em que você admite que não está bem para alguém,essa pessoa automaticamente vira a sua piscicóloga". Então pode ir falando,meu amigo,sou toda ouvidos. - Respondi continuando a brincadeira.
-Promete que não vai rir? -Camilo perguntou enquanto voltava a se sentar no banco.
- Prometo. - Eu disse enquanto me sentava no banco que ficava de frente para o dele.
- Bom...como eu digo isso?...É...eu sinto como se fosse um problema pequeno mas-
- Se está te deixando mal pode ter certeza que não é um problema pequeno.Pode falar sem enrolação,eu estou aqui para ajudar. - Interrompi.
-Ok. -Ele respirou fundo. - Eu...sempre fiz as pessoas rirem com imitações,piadas ou qualquer coisa do tipo e...recentemente fui perceber que...eu acho,que ninguém nunca me fez rir de verdade.Acho que nunca tive um daqueles famosos "ataques de risos".Quando percebi isso,comecei a me perguntar se algum dia alguém faria o mesmo que eu faço,por mim...entende? - Ele falou rapidamente.Sua feição triste era de cortar o coração.
-Beleza,vou resolver isso. - falei. - Camilo,me diga,até quando você entra em um túnel? - Perguntei.
- Até a metade,porque depois disso você começa a sair. - Ele falou enquanto fazia uma cara engraçada.
- Você já sabia essa!Seu sem graça! - Falei. - Vou ter que elaborar uma piada melhor.
- Vai ter mesmo.Essa foi horrível! - Ele falou.
- COMO OUSAS! - Me levantei indignada. - Vou até ir embora depois desse desafôro!
Quando fui me afastando,ele começou a me olhar.
- O quê foi?... - Perguntei com um tanto de medo.
- S/N......tem uma aranha na sua perna.
...
-QUÊ?!ONDE?!QUANDO????????TIRA,TIRA TIRAAAAAAAAAA!!!!!!! - Gritei enquanto tentava desesperadamente tirar a tal aranha de mim.
Eu estava tão aflita que nem percebi o som de uma risada meiga e levemente escandalosa.
Quando finalmente consegui matar a aranha,olhei para Camilo,que estava morrendo de rir.Aquela risada era contagiosa,quando percebi,eu também estava rindo,mesmo sem saber o porquê.
___________________________
Foi isso por hoje guys!Se gostaram,não se esqueçam de votar!
😌❤ besos!!!