ESTER RIVERA
Chelsea, Sira e Hannah estavam conversando comigo enquanto o Jeff Banks, diretor da Vivienne Westwood após a morte da Vivienne vier à tona, tirava as medidas do meu vestido de casamento.
— A Martina disse que você cresceu muito rápido, eu até duvidei no começo, mas agora vendo com os meus próprios olhos eu vejo que ela está certa. Você está um mulherão, pequena Rivera. — Jeff me elogiou e eu abri um sorriso enorme. A minha avó e a sua mania de dizer para todos que eu cresci muito rápido...
— Obrigada, Jeff. — eu agradeci ao estilista. Não tinha somente ele ao meu redor, tinham alguns ajudantes também, acho que cinco ou seis. — Acho que um vestido de seda ficaria lindo...
— E você quer colocar véu e blusher? — Jeff perguntou e eu parei para refletir, já que eu não tinha pensado nisso.
— É uma boa ideia. O que vocês acham, meninas? — perguntei e elas assentiram.
— Hoje em dia eu vejo poucas pessoas usando, mas é isso que tornaria mais icônico. — Hannah pontuou e eu assenti.
— Traz uma vibe mais Anna Nicole. — Chelsea zombou e todos na sala riram.
— Depois dessa eu fingia desmaio. — foi a vez da Sira zombar.
— Estou quase. Pelo menos a Anna era bonita e inteligente, casou logo com um velho bilionário e cheio de problema de saúde. — brinquei e novamente riram.
— Me senti ofendido tá, meninas? — o mais velho entrou na brincadeira.
— Ainda bem que o senhor já é muito bem casado com a Sue. — eu disse e ele assentiu.
— Aquela ali se pudesse me matar, já teria me matado há muito tempo... Vocês mulheres são muito complicadas. — Jeff disse em um tom de voz zombeteiro. — Um dia desses ela me disse que queria um mico-leão-dourado.
— Eu queria ter um mico-leão-dourado também, mas dá muito trabalho e eu quase não tenho tempo para cuidar. — Hannah disse e cruzou as pernas no sofá. Um dos ajudantes do Jeff puxou uma corda atrás do vestido e os meus peitos saltaram no decote drapeado.
— E dá mesmo. Ela passa o dia inteiro cuidando do bichinho. — o mais velho disse e se distanciou um pouco de mim apenas para analisar como o vestido ficou. — Prende a respiração um pouquinho, querida.
Fiz o que ele pediu e o ajudante atrás de mim puxou mais ainda a corda. Meu Deus.
— Nossa, se puxar mais um pouco estará arriscado eu não conseguir mais respirar. — eu reclamei mas em um tom de voz brincalhão.
— Como a mamãe Beyoncé disse: beleza dói. — Anker fez outra piada e eu semicerrei os olhos na direção dela, que mandou um beijo no ar para mim.
— A roupa das madrinhas do casamento também serão da Vivienne Westwood... As meninas também poderão tirar as medidas agora, Jeff? — perguntei enquanto encarava a minha melhor amiga. Foi a vez dela de semicerrar os olhos na minha direção, eu respondi ela do mesmo jeito que ela me respondeu.
— É óbvio! Venham aqui. — ele fez um gesto com as mãos chamando as garotas.
(...)
Fomos até uma cafeteria que abriu essa semana e que todos estavam dizendo que era boa, de fato estavam certos, os doces, salgados e bebidas daqui eram perfeitos e o atendimento era tão bom quanto, foram bastante receptivos conosco.
— Aquela loira sem sal mandou mensagem para o Anssumane dizendo que queria encontrar com ele. — Hannah revirou os olhos e mexeu a pequena espatula de plástico no copo de café expresso. Estávamos tomando café após os estilistas tirarem as medidas de todas nós, o Jeff e sua equipe já haviam ido embora. — Sabe o que ele fez? Isso mesmo, nada! Eu falei para o Fati que se ele fosse, não existiria mais nós dois, aí ele ficou na dele e realmente não foi.
— A Raquel é muito atirada mesmo. Ela sabe que o garoto está namorando agora e mesmo assim fica dando em cima dele... Isso aí é falta de amor próprio. — Sira disse e tomou um gole do café dela.
— Eu não tenho problema com isso... Teve uma vez que o Pedro chamou a garota de mocréia porque ela chamou ele de lindo, depois falou que ela era tão pobre que abanava uma folha e dizia que era um ar condicionado e ainda disse que só tinha olhos para mim. — Chelsea falou se gabando e eu arregalei os meus olhos. Meu Deus do céu... Imagina a saúde mental da menina.
— O Ansu deveria aprender com o amigo então... — Hannah coçou a têmpora e tomou mais um gole do café dela. Com a colher, peguei um pedaço do bolo red velvet e levei até a minha boca.
— O Pablo... Eu não tenho muito o que reclamar dele, as únicas coisas com que eu me estresso são as piadinhas que ele faz a qualquer hora e qualquer lugar. — dei de ombros e as meninas me encararam curiosas. — Teve uma vez que ele falou na frente dos pais dele que nós estávamos assistindo Netflix, o pai dele começou a rir e a mãe dele ficou sem entender... Teve outra vez que nós estávamos tomando sorvete e ele perguntou se eu queria que ele me desse na boca e eu disse que sim, aí ele passou o sorvete no meu rosto... E por aí vai, ele é uma criança em um corpo de adulto.
— Que Deus te dê muita paciência hein. — Chelsea riu e todas nós acompanhamos ela na risada.
— Estou precisando. — eu respondi. — Já estou até vendo os cabelos brancos crescendo.
— Eu nem queria te falar isso, amiga... Mas realmente, você está cheia de cabelos brancos. — Hannah zombou e eu revirei os olhos rindo.
— Culpa da criança encapetada que vive sob o meu teto. — eu zombei.
— Eu fico imaginando o que eles devem estar aprontando agora. Em pleno domingo, eles já devem ter tirado as medidas dos ternos... Agora o que devem estar fazendo? — Sira fez uma pergunta retórica e nós demos de ombro em resposta. Eles eram oito ou oitenta até demais, eram imprevisíveis. Poderiam muito bem estarem comendo pizza, zoando alguém, jogando FIFA, jogando futmesa ou somente conversando entre si.
— Eu aposto que eles estão zoando alguém, provavelmente o Gavira ou o Ansu. O Pedro e o Ferran estranhamente são os mais encapetados entre eles. — Chelsea respondeu e nós assentimos.
(...)
PABLO GAVI
Acertei um tapa no rosto do Ferran e soltei uma gargalhada quando ele tentou me dar uma voadora mas falhou miseravelmente. Estávamos eu, Ferran, Ansu e Pedro brincando de lutinha para descobrirmos quem tomaria o último gole do refrigerante. Na televisão do apartamento do Ansu, os bonecos do FIFA estavam parados esperando que nós os guiássemos.
Ansu e Pedro estavam brincando de lutinha também. Agradeci mentalmente por ter lembrado que eles dois estavam brincando também, então tentei acertar uma voadora no González mas ele puxou o meu pé, fazendo eu cair.
— Filho da puta! — xinguei e me levantei nada abalado, depois fui na direção do Ansu e acertei um tapa no rosto dele, mas ele acertou outro no meu.
De repente, o Ferran saiu disparado da rodinha e foi até a mesinha de centro do apartamento do Ansu, onde o refrigerante estava, nós três corremos até ele mas quando chegamos lá, ele já havia bebido o líquido todo. Eu, Fati e González soltamos arquejos dramáticos e ameaçamos ir contra ele, que entrou em uma posição de ataque.
Ficamos brincando de lutinha por mais um tempo até nos cansarmos -o que demorou um pouco-. Me joguei no sofá da sala do Ansu e ele me acompanhou, sentando ao meu lado com um pedaço de pizza na mão direita. Peguei outro pedaço na caixa de pizza que estava na mesinha de centro e mastiguei.