Atualmente
Medieson Parkr narrando...— Você é melhor que a mulher maravilha, porque você é real, você é Medieson Parkr, minha Medieson.
...Acordo assustada, olho para cima,sinto que não estou no meu quarto, passo a mão ao outro lado da cama de casal onde estou deitada e não encontro nada, me sento na cama, passo a mão sobre o cobertor cinza que me cobre,e término de constatar que essa não é minha cama, e só então me lembro da noite passada,onde pedi perdão a Taylor e fui perdoada, passamos a noite conversando,mas não lembro de que horas dormi e nem de como vim parar aqui.
Me levanto e vou até o banheiro, estou vestida com minhas roupas de ontem, só sinto falta de minha jaqueta de couro e dos meus sapatos,mas Taylor deve ter tirado de mim,me olho no espelho do banheiro, meu cabelo está bagunçado e meus olhos estão um pouco inchados,abro a torneira e lavo meu rosto, enquanto me lembro do sonho que tive,foi tão real, era como se estivesse revivendo aquele momento, mas com uma diferença, eu não sinto mais.
Saio do banheiro e tem gente dormindo,no tapete da sala,no sofá, até no corredor,e todos são pessoas da família que ficaram pra terminar de arrumar a bagunça,abro o quarto de hóspedes e encontro Bianca dormindo,dou um leve sorriso,a vendo dormir tão tranquilamente,fecho a porta com cuidado para não acorda-la e vou até a biblioteca de Taylor,onde o encontro dormindo sentado com um livro em mãos entre as almofadas,o que faz eu me sentir culpada, enquanto eu dormia no conforto ele vai acordar com uma tremenda dor no pescoço por dormir desse jeito.
Pego o livro de suas mãos que noto ser," o prisioneiro de askabam " da saga Harry Potter,ele sempre relê a mesma saga,dou uma nova olhada em suas estantes e vejo os livros que dei pra ele,vejo muitos outros, mais como sempre pego o mesmo livro de sempre, que fala sobre bebês.
— Você sempre pega o mesmo livro.— Taylor fala atrás de mim.
Olho pra ele que vira o pescoço de um lado para o outro estralando ele, ele levanta se alongando, e noto seus cabelos cor de mel bagunçado, sorrio o admirando .
— Admirando a vista, Medieson? — ele sorri de canto me olhando.
— Como sempre, só pra não perder o costume .— digo correspondendo seu sorriso,o que deixa Taylor mudo,por algum tempo.
É a primeira provocação dele que eu correspondi desse jeito.
— O que te interessa tanto no livro?— ele aponta para o livro mudando de assunto.
— Você sabe.
— Eu imagino,mas você nunca me disse em específico o motivo.
— Você comprou ele, pra Angel.
— Na verdade comprei pra mim, pra poder te ajudar com Angel.
— Você me entendeu.— digo revirando os olhos.
— É,eu entendi, mas ainda não responde minha pergunta.
— Você realmente se importou, você se importava, você realmente queria me ajudar, estava disposto...
— É,eu estava, mas ainda não responde minha pergunta.
— Esse livro me faz pensar,no que aconteceria se eu tivesse te conhecido antes, antes dele, esse livro me faz pensar em possibilidades, que nunca existirão.
— Eu entendo, às vezes eu também me pergunto,o que teria acontecido se você tivesse uma memória melhor,e fosse mais atenta. — ele diz enquanto balança a cabeça de um lado para o outro em sinal de negação.
— O que?
— Nada. Você já tomou café?
— Não,na verdade nem vou,eu tenho que ir, tenho algo pra fazer.
—Tudo bem.
Ele me guia até onde estão as minhas coisas, calço as minhas botas e pego minha jaqueta, me dirijo até a porta e Taylor me segue.
— Eu já vou indo,passa lá no meu apartamento a noite se você tiver tempo.
Ele assente com a cabeça.
— E obrigada, por tudo sabe, principalmente por abdicar da sua cama confortável por mim.— brinco dando um leve sorriso.
Taylor rir
— Se cuida Medieson.
— Pode deixar.
Vou dá calçada de sua casa até meu carro, entro nele respirando fundo,eu tenho muitas coisas para resolver hoje,e em primeiro lugar ligo o carro e faço um roteiro que já faz muito tempo que eu não faço em Manhattan, após alguns minutos chego ao memorial Manhattan.
Entro após dar meu nome na entrada para o segurança, faço um caminho que conheço bem pelas lápides, olho para os lados há flores em algumas lápides, algumas pessoas,paradas homenageando seus falecidos um pouco mais afastado,paro ao lado da lápide de Dom,dou um leve sorriso, têm um pequeno arranjo de flores ao lado, provavelmente de Shirley,ela sempre vem o agradecer por ajudar a fazer justiça para seu filho e seu marido.
Me abaixo e me sento ao lado da lápide.
— É, parece que eu realmente sou a pessoa ingrata que você dizia que eu era, eu realmente não dava a mínima para os esforços da pessoa que me amava,mas o que posso garantir é que essa pessoa não era você.
— E aqui estou eu mais uma vez,prometi pra mim mesmo que não viria mais,mas não era por raiva,eu só não conseguia aceitar sua morte ainda,te amei por tanto tempo, que não fui capaz de seguir a vida sem você,mas hoje eu tive um sonho,ou melhor, uma lembrança, uma lembrança do dia que te perdi,e sabe o que senti quando acordei ?... — as lágrimas que eu tanto prendia começam a cair.—Nada, eu não senti nada, me desculpa Dom,mas não posso cumprir com minha promessa, não posso mais te amar, não posso mais viver presa a você,me desculpa, mas não te amo mais,e talvez não te amasse mais antes mesmo de você morrer,e eu só não conseguia admitir essa verdade pra mim mesma, não conseguia admitir que fiz a escolha errada, mas... — seco as lágrima que caí dos meus olhos — Eu sou humana,e eu posso errar,e descobri que estou cercada de pessoas que me amam apesar dos meus erros, e é tão bom, é maravilhoso poder saber que sou realmente amada,e que não preciso chegar ao meu limite pra receber esse amor,ou pra sentir ele — Sorrio entre as lágrimas.
— Eu te amei Dom, te amei enquanto pude, enquanto suportei,mas eu talvez não soubesse o que era o verdadeiro amor,e acho que você também não,e é uma pena você não ter mais tempo pra senti-lo ou poder experimentar dele, mas eu posso,eu ainda estou viva e quero viver, não quero mais carregar o peso de sua morte em minhas costas, eu quero viver, quero amar, quero ser mãe,quero ser feliz, quero agradecer meu pai por ser maravilhoso, quero poder planejar,me mudar,e principalmente quero poder amar o Taylor,e quero ser amada por ele, mas jamais faria isso sem finalmente terminar esse ciclo, então estou te explicando, estou me libertando e te libertando, eu te deixo ir . Afinal tem amores da vida , que não são pra vida, Então eu te deixo ir Dominique.
[...]
Saio do Memorial,limpo minhas últimas lágrimas,e por fim sorrio olhando pra cima, o sol brilha com poucas nuvens no céu e eu nunca me senti tão livre, depois de anos consigo respirar bem de novo,e não sinto mais aquele peso que me puxava para o passado,eu sinto vontade de só pensar no futuro agora.
Vou até meu carro e dirijo até a casa do meu pai hoje é o dia de folga dele,faz tempo que não conversamos de verdade, nossa última conversa de pai e filha foi depois da minha lua de mel quando ele me falou da promoção que ele recebeu,e virou um dos diretores JEs, depois daí só nós falávamos nas festas da família e por telefone.