Boa noite flores!!! Essa semana foi maravilhosa, graças a realização do meu maior sonho que era assinar com uma editora! Estou tão feliz que precisa dizer aqui de novo, por mais que a maioria de vocês já deva saber rsrs
Falando sobre o conto, como é uma história curta, os capítulos fazem jus a isso, sendo igualmente curtos, por isso, a culpa não é minha! Existem pontos que tenho que repetir do livro anterior para que a história possa ter nexo, mas depois desse capítulo o conto estará livre de repetições ok?
Obrigada por me acompanhar em mais essa aventura :)
Beijões!!!
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Sabe quando você está na merda por conta de sua vida amorosa extremamente fracassada e de repente se vê morando em uma casa com um casalzinho todo feliz apaixonado? Se sua resposta for não, você é um felizardo, mas se sua resposta foi sim, eu entendo a sua dor.
Não me entenda mal, eu amo meu irmão e sempre torci para que ele encontrasse alguém que amasse e o fizesse feliz. O problema também não estar em minha cunhada, que apesar de não fazer o tipo fofa, é legal, do jeito dela, e mais guerreira do que admite ser. O problema, está comigo. Quando se está infeliz, a felicidade alheia egoisticamente incomoda.
Claro que eu não era tão vaca a ponto de deixar essa inveja transparecer.
No entanto, eu fazia todo o possível para ficar na minha sem me intrometer muito na vida deles, pelo menos o máximo que conseguia, sou um pouco enxerida. Passava muito tempo fora de casa e quando estava, procurava estar sempre no meu celular.
Passaram-se semanas até que eu percebi, que aos pouquinhos aquela dor ia diminuindo, que como o Noah me disse que aconteceria quando cheguei ao Rio, eu esqueceria o Richard. E eu comecei a pensar o que eu faria dali em diante. As aulas já voltariam, e eu precisava decidir se conseguiria viver em São Paulo novamente.
Depois de muito pensar, eu concluí que não. Talvez, por estar de volta ao conforto que a presença do meu irmão me oferecia, talvez por não ter coragem de arriscar cair na tentação e voltar para o Richard, ou talvez porque eu simplesmente não via um futuro para mim naquela cidade.
Mas enquanto eu estava em São Paulo resolvendo tudo para poder voltar ao Rio, dessa vez para ficar, eu me arrependi completamente de ter invejado a vida daqueles dois.
O monstro que havia destruído a vida da minha cunhada na infância, e que todos achavam estar morto, estava mais vivo do que nunca, e havia sequestrado o filho, que por acaso era amigo da Melina (minha cunhada) e a estava ameaçando a pagar o resgate.
Fiquei extremamente apreensiva ao receber a ligação do meu irmão, e adiantei meu voo para poder lhe dar apoio.
Meu irmão é policial, e junto com vários outros, ele organizou uma operação de resgate. Apesar de ter sido eu a encorajá-lo a voltar a polícia, senti meu peito afundar de angustia durante todo o voo, cheia de preocupação do que poderia acontecer nessa missão. Denis, o sequestrador, era um monstro. As atrocidades que ele cometeu no passado já o caracterizava como alguém desumano, mas ele chegou ao ponto de sequestrar o próprio filho e segundo o Noah, ele seria capaz de matá-lo se não conseguisse o que desejava, e possivelmente, a Melina seria a próxima.
Meu papel nisso tudo, era não deixar a Melina saber dessa operação até que o Denis estivesse atrás das grades, pois minha cunhada além de ter um temperamento bem forte, para dizer o mínimo, também tem um grande rancor de tudo que esse psicopata lhe tirou, e aliando esses dois resulta em um irracional desejo de vingança, que ou levaria a sua morte, ou detonaria sua vida pra sempre.
Mas felizmente, quando minha cunhada enraivecida acordou e começou a me encher de perguntas, meu irmão já tinha me ligado para me livrar daquela situação embaraçosa.
O drama que seu deu entre os dois depois disso, não era da minha conta, e fiz o máximo para conseguir me manter de fora, claro sem deixar de dar alguns sermõezinhos bem merecidos na minha querida cunhada.
O maior sermão, foi extremamente merecido, afinal, aquela desmiolada, passou horas fora de casa sem dar qualquer notícia. O medo de que ela tivesse feito alguma bobagem acabou comigo, e quando ela chegou em casa, com cara tranquila e olhos inchados, querendo ir ao hospital onde o filho do psicopata estava, eu não permiti que ela fosse sozinha. Você por acaso permitiria? Nunca vi pessoa mais instável que a Melina!
O caminho até o hospital foi tranquilo, o ambiente é que me dava pena. Tantas pessoas machucadas, gemendo de dor em corredores, precisando de tratamento e tendo que passar dias em filas de espera...
Fomos guiados, depois de um tempo, até o quarto onde o Fábio (o sequestrado) se encontrava. E a dor que senti ao vê-lo, tão machucado, encheu-me de pesar.
Meu irmão diz que tenho o péssimo e o maravilhoso costume de me condoer demais com o sofrimento alheio, mas como, me diz, como não sentir pesar diante de tanto sofrimento?
Mas o que me deixou completamente absorta, foi a forma como ele conseguia fazer piada, mesmo que tivesse tão machucado a ponto de quase não conseguir abrir os olhos. Talvez fosse isso, a forma como seu senso de humor superava toda dor que passou e que ainda passa, mas mesmo com todas as marcas (e talvez até graças a elas) ele me parecia extremamente bonito.
Não aquele bonito, de homens que fazem comercial de perfume ou creme dental. Aquele bonito que reflete a alma, sabe? Aquele bonito que parece que você tem um imã nos olhos, o qual te impede, mesmo que você tente ardentemente, de desviar o olhar.
Devido a visita da mãe do rapaz, nossa visita durou menos tempo do que eu desejava, então depois da Mel se despedir, eu ia saindo sem pronunciar qualquer palavra, até que sua mão segurou a minha.
– Vem me visitar depois? – Ele sussurrou.
Eu pareci ter adquirido algum problema mental, pois minha boca de abriu e eu não conseguia pensar nem falar nada, olhei para as costas da Mel que saia sem ver nem ouvir nada, e assenti para ele, saindo logo atrás da Melina.
***
Não sei por que eu não contei a mais ninguém sobre o pedido que o Fábio me fez. Talvez eu até contasse no caminho de volta, se eu não estivesse ocupada ouvindo pela boca da Melina, uma história que eu só sabia a metade.
A cada palavra que saía de sua boca, era recebida por mim com espanto. Era inacreditável a forma como o Fábio e ela sofreram, como a vida dos dois estavam interligadas, e apesar da linha que os ligavam ser uma linha dolorosa, eles se gostarem dessa forma inocente e despretensiosa.
De alguma forma, Fábio me pareceu ainda mais belo. E talvez, tenha sido essa revelação que tenha me feito ir ao hospital no dia seguinte. Só não me pergunte o porquê de fazer isso em segredo, porque certamente eu não saberei responder.
Apresentei meu nome na recepção no horário de visitas. Esperei que a mãe dele saísse de lá com sua irmã, para que eu pudesse seguir para o seu quarto. Na porta, eu me detive, encostando no corredor, com medo que ele me visse. O que eu estava fazendo? Porque eu tinha atendido ao pedido de alguém que eu sequer conhecia?
Mas a questão não era conhecer. A questão era que eu queria conhecer, a pessoa corajosa que aguentou todas aquelas ameaças para proteger a família, que mesmo tendo sofrido o pão que o diabo amassou na mão do pai, ainda conseguia sorri como fez ontem.