A Cirurgia

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Depois que a Maju foi embora, José e eu entramos na festa, o pessoal já estava bêbado, jogado pelos cantos no quintal. Entramos dentro da casa onde Thais e Batata conversavam na sala.


- Ei, meninos! - Thais gritou. - Venham aqui.


Olhei para o José e ele não se opôs em ir conversar com a Thais, então fomos. Nos sentamos no chão, de frente para os dois no sofá.


- Cadê a Maju? - Thais perguntou. - Vi ela conversando com a mãe do Gabriel quando cheguei e depois não a vi mais.

- Ela foi embora com o Ian, mas ficou um bom tempo com a gente lá fora.

- Como foi perder o jogo, rapazes? - Batata perguntou rindo, passando sua mão orgulhosamente em seu uniforme do time de futebol.

- Hahaha. Se a Maju não estivesse puta da vida nós teríamos ganho.

- Puta?

- É, ela tava meio brava com a Manuela.

- Tava? - José perguntou pegando um copo e a garrafa de tequila na mesinha de centro.

- Aham, ela descobriu o negócio do Ian com a Manuela.

- Tá brincando! - Batata disse atônito.

- O que rolou com eles? - Thais perguntou.

- Nossa, mano, eu tava com o Henrique quando ele contou isso pra gente. Ele o Gabriel nem se falavam direito nessa época. Os dois ficaram algumas vezes e acabaram dormindo juntos.

- Você não tinha me contado isso, Henrique! - José disse, respingando um pouco de tequila de seu colo em mim.

- Ué, mas não foi antes da Maria Júlia aparecer? Por que ele ficou putinha com a Manuela?

- Tá defendendo a Manu? - Batata perguntou.

- De jeito nenhum, só quero entender isso direito.

- Ela ficou "putinha" porque a melhor amiga dela já tinha dormido com o namorado e nem disse nada. É código de amizade. Você não volta a falar com quem andou furando seus olhos. Mesmo que tenha sido antes. Se... Isso fez algum sentido.

- Henrique, você me beijou e continua sendo melhor amigo do José.

- Quando a garota não vale a pena, pra que terminar a amizade? - José falou. - Estamos falando de mulheres interessantes como a Maju.


Batata e eu ficamos guardando aquele "TURN DOWN FOR WHAT" enquanto a Thais ia saindo da sala batendo o pé. Logo que ela fechou a porta começamos a rir.

Batata começou a comentar sobre isso tudo de Maju, Ian e eu e nos sentamos no sofá do lado dele. Bebendo e conversando.
Depois que os dois brigaram eu nunca mais tinha falado com o Batata, e acho que quase ninguém. Com o Ian tendo a influência que ele tem, a briga humilhou totalmente o Batata e os puxa-saco do Ian, e eu que na época era muito amigo dele paramos de falar com o Batata.

Os dois brigaram feio porque a irmã do Ian começou a gostar do Batata e um dia o Ian pegou os dois se beijando. Ian fez seu papel de garoto mimado e esculhambou com o Batata na escola. Falou que o Batata fingia ser amigo dele por interesse, e inventou um monte de coisa. A Pri e o Batata continuaram ficando por mais umas duas ou três semanas, mas o Ian fez com que eles se separassem, falando um monte dele pros pais e fazendo eles proibiram a Pri de ver o Batata.

Não sei como eles estão voltando a se falar, aliás, nem sei como ele foi capaz de perdoar o Ian, mas resolvi não entrar exatamente nesse assunto. Conversamos por mais duas horas, até que o Gabriel entrou falando que todos tinham ido embora, mas poderíamos dormir em sua casa se quiséssemos.

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Agradecemos, mas fomos os três embora. Batata nos deu uma carona até a casa do José, que era onde eu iria dormir.
Seus pais haviam deixado a porta aberta para nós, entramos e ele foi tomar banho. Fui para o seu quarto e coloquei um colchão no chão e arrumei onde iria dormir.

Meu celular conectou com o wifi e fez barulho por causa das notificações, me sentei na cama do José e desbloqueei o celular. Maju havia me mandado alguns stories da gente correndo na rua hoje mais cedo, e colocado alguns na história. Basicamente, me mandou os quais nós dois trocávamos alguns flertes durante a guerrinha de faíscas e colocou na história os em que nós três estávamos apenas rindo e xingando uns os outros.

Tirei print de alguns do que ela me mandou e fechei o aplicativo. Ela também havia postado uma foto só das faíscas no Instagram e marcou José e eu.

Eu tinha quatro ligações perdidas. Duas da minha mãe, uma de um número desconhecido e uma da Maju. Tinha sido há meia hora atrás. Tentei retornar a ligação, mas ela não me atendia. José entrou no quarto quando eu me levantei e peguei minha carteira.


- Qual é irmão, pensa que tá indo onde?

- Maju me ligou e agora não atende, vou atrás dela.

- Nem pensar. São quatro horas da manhã, ela deve ter dormido. Quando acordarmos, preferencialmente depois do almoço, você vai atrás dela.

- E se tiver acontecido alguma coisa?

- E se não tiver acontecido nada e você estiver explodindo a cabeça por nada?

- Tudo bem. Mas se ela estiver precisando de mim e eu não aparecer até depois do almoço, vou dizer que a culpa é sua.

-Tá bom, Capitão Preocupação. Eu assumo a culpa. Agora dorme, tá?


De noite, Maju ficou perambulando meu pensamento por mais um tempo até que eu finalmente consegui dormir.


xx


A mãe do José veio nos chamar no quarto por volta de uma hora de tarde, junto com aspirinas e duas xícaras de chá, ela disse que era pra nossa provável ressaca e saiu do quarto.

Bebemos o chá e tomamos o remédio, descemos e a mesa estava posta para nós dois, então tivemos que almoçar.


- Mãe, obrigado pela comida, mas se o Henrique não for ver se a Maju está bem ele vai ter um ataque-cardíaco. Já vamos.


E mãe dele riu e saímos da casa. José tinha aula de espanhol hoje, a escola é perto da casa do Ian, então fomos juntos até a escola é depois fui sozinho até o prédio.

Liguei para a Maju, ela atendeu e antes que pudesse dizer alguma coisa, eu perguntei se o Ian estava em casa, ela disse que não e então pedi para ele liberar minha subida.

Desliguei o celular e não demorou muito até que o portão se abrir. Subi e chegando no hall, a porta do apartamento já estava aberta. Entrei e fechei a porta, chamando por ela. Logo Maju apareceu de short de academia e um top branco. Fui até ela e selei nossos lábios.


- Você não tem noção de o que faz comigo não atendendo o celular ontem. - Falei andando pela sala. - Está tudo bem?


Maju ainda estava parada, com o dedo indicador em sua boca. E chamei novamente e ele se virou para mim.

✩ way / enquanto somos jovens.Onde histórias criam vida. Descubra agora